A Dança dos Vampiros
imagem & texto . The Fearless Vampire Killers, de Roman Polanski, Inglaterra, 1967
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"Santas as visões, santas as alucinações, santos os milagres, santo o globo ocular, santo o abismo." (Allen Ginsberg)
imagem & texto . The Fearless Vampire Killers, de Roman Polanski, Inglaterra, 1967
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"A verdade está no estômago, se sente fome. Sentimento se tem é no meio das pernas."
"Não preciso agradecer, prefiro pagar. Estou pagando e tem que ser bem feito."
"Sem mas, sem se e totalmente sem talvez."
"Prefiro fazer milagres a esperar por eles."
"Para o infeliz, qualquer pessoa feliz é vulgar."
"O mal das pessoas é que só gostam de uma coisa."
"Livros queimam e não são a verdade."
"Estou velho para viver e jovem para morrer."
"Só não chore por amor. Na vida não existe só um. Existem tantos. Amo todos que me agradam."
"Ninguém se orgulha de uma mulher infeliz."
"A noite tenho sossego."
"As pessoas são complexas."
imagens . Die ehe der Maria Braun, Alemanha, 1978, de Reiner Werner Fassbinder
filosofia de esquina & de boteco . Maria Braun Fassbinder
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Billy, olhos azuis prostrados olhando para as garrafas dispostas em três fileiras a serem derrubadas, suor grudando a camisa listrada em preto & cinza ao corpo, tira as botas cor-de-sangue, ajusta a meia preta calorenta, põe o protetor na mão direita, se concentra, dando força a si mesmo, lustra a bola de boliche, penetra-a com dois dedos. Leila, sombra azul nas pálpebras, brilho labial alaranjado, sente calor, despe-se do casaco de Billy e dobra-o com doce afeto. Toda volúpia de seu corpo se volta para o ser amado, que segue adiante com passos firmes, rumo à pista, com os sapatos em branco & preto próprios para o chão escorregadio. Billy não erra muito e comemora espalhafatosamente. Até que o maquinário emperra. Enquanto Sonny conserta o equipamento que dispõe as garrafas, Billy espera impaciente. Leila, de meias azuis e sapatilhas cintilantes, se distrái sapateando ao som de uma melodia melancólica que só toca dentro de sua cabeça, à luz do holofote do imaginário. Billy ordena que ela fique quieta e perde uma, apenas uma, das muitas jogadas que tinha pela frente. E esta que ele perdeu significa para ele muito mais do que todas as outras que ele acertou. Esta derrota é a que o destrói e o desanima. Leila acha graça e tenta a sorte. Acerta e comemora. Billy vira a cara para seu próprio azar e vai dar um telefonema. Leila continua jogando - agora que derrubou todas as garrafas brancas pela primeira vez em sua vida começa a se interessar cada vez mais por boliche e por vitória. E Billy? Quando vai aprender o sapateado?
imagem . Buffalo ´66, de Vincent Gallo, EUA, 1998
texto . Matheus Matheus
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Meu amor, meu amor, até já. Até já até breve ou até já nunca mais. Até mais. Até jamais. Até quando eu lhe encontrar de novo se eu lhe reencontrar. E, se até o fim, não lhe encontrar? Continuarei a procurar e procurar e procurar. Sim. Vou lhe encontrar sempre. Vou lhe encontrar na memória. A memória do teu calor, do teu corpo rijo pesando sobre o meu corpo delicado e embevecido. Mas sim. Mas sempre. Mas... o sentido. Não posso esquecer do sentido e nem desprezá-lo. Embora no ápice do meu prazer ou no apogeu da minha dor eu nem me lembre de compreender direito coisa nenhuma. Só sentir. Como as folhas da árvore sentem o vento ou sentem o fogo e fazem barulho. Não existe gozo ou consternação sinceros em silêncio. No delírio da minha memória: você, meu amor. Até, amor. Já. Essa busca continua. Contínua. Nem o desencanto encerra. Nem o desengano enterra. Nem o sabor acridoce da mais óbvia "desilusão - danço eu, dança você..." Minhas mãos agora vazias encheram-se da mais nobre virtude quando ampararam a tua nuca - seu bucólico arfar morno no meu ombro. Fugimos, achando que, embora a viagem não fosse totalmente segura, nos salvaríamos. Achávamos também que teria beleza por estarmos um ao lado do outro. Não desconfíamos que nos perderíamos. O que mais dói é não saber se nos perdemos ou se você fugiu de mim. Desde o momento que você foi embora tudo ganhou uma cor tão estranha, tornou-se cada vez mais real. Enquanto éramos só nós dois, amantes constantes na cama, tudo era mais elegante. Como um filme francês produzido no século XXI em Preto & Branco. Agora enxergo as cores, comédia romântica blockbuster ultra-colorida. Mas falta alguém. Falta o par. Então é drama... melodrama... Até quando? Até já. O par voltará apenas na memória? Cruel então faltar o par. Até então. Até já então. Sonho inverso: foi primeiro realidade para só depois ir para o campo da memória em que repousam os desejos não realizados. Mas se realizou? Não por completo. Havia mais para se realizar. Muito mais. Fica na memória a lembrança com asas que enche o rosto de água salgada.imagem . A Tout de Suite, de Benoit Jacquot, França, 2004
texto . Matheus Matheus
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Imagem e texto . Boogie Nights, de Paul Thomas Anderson, EUA, 1997
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