"Santas as visões, santas as alucinações, santos os milagres, santo o globo ocular, santo o abismo." (Allen Ginsberg)

7.12.07

ATÉ JÁ!

Meu amor, meu amor, até já. Até já até breve ou até já nunca mais. Até mais. Até jamais. Até quando eu lhe encontrar de novo se eu lhe reencontrar. E, se até o fim, não lhe encontrar? Continuarei a procurar e procurar e procurar. Sim. Vou lhe encontrar sempre. Vou lhe encontrar na memória. A memória do teu calor, do teu corpo rijo pesando sobre o meu corpo delicado e embevecido. Mas sim. Mas sempre. Mas... o sentido. Não posso esquecer do sentido e nem desprezá-lo. Embora no ápice do meu prazer ou no apogeu da minha dor eu nem me lembre de compreender direito coisa nenhuma. Só sentir. Como as folhas da árvore sentem o vento ou sentem o fogo e fazem barulho. Não existe gozo ou consternação sinceros em silêncio. No delírio da minha memória: você, meu amor. Até, amor. Já. Essa busca continua. Contínua. Nem o desencanto encerra. Nem o desengano enterra. Nem o sabor acridoce da mais óbvia "desilusão - danço eu, dança você..." Minhas mãos agora vazias encheram-se da mais nobre virtude quando ampararam a tua nuca - seu bucólico arfar morno no meu ombro. Fugimos, achando que, embora a viagem não fosse totalmente segura, nos salvaríamos. Achávamos também que teria beleza por estarmos um ao lado do outro. Não desconfíamos que nos perderíamos. O que mais dói é não saber se nos perdemos ou se você fugiu de mim. Desde o momento que você foi embora tudo ganhou uma cor tão estranha, tornou-se cada vez mais real. Enquanto éramos só nós dois, amantes constantes na cama, tudo era mais elegante. Como um filme francês produzido no século XXI em Preto & Branco. Agora enxergo as cores, comédia romântica blockbuster ultra-colorida. Mas falta alguém. Falta o par. Então é drama... melodrama... Até quando? Até já. O par voltará apenas na memória? Cruel então faltar o par. Até então. Até já então. Sonho inverso: foi primeiro realidade para só depois ir para o campo da memória em que repousam os desejos não realizados. Mas se realizou? Não por completo. Havia mais para se realizar. Muito mais. Fica na memória a lembrança com asas que enche o rosto de água salgada.

imagem . A Tout de Suite, de Benoit Jacquot, França, 2004

texto . Matheus Matheus

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1 Comments:

Anonymous CresceNet said...

Gostei muito desse post e seu blog é muito interessante, vou passar por aqui sempre =) Depois dá uma passada lá no meu site, que é sobre o CresceNet, espero que goste. O endereço dele é http://www.provedorcrescenet.com . Um abraço.

1:14 AM

 

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