"Santas as visões, santas as alucinações, santos os milagres, santo o globo ocular, santo o abismo." (Allen Ginsberg)

12.4.10

Veludo Azul

"Mundo estranho este, não? Há oportunidades na vida para se obter conhecimento e experiência. Por vezes é necessário correr riscos. Porque é loucura e perigoso. Está tão escuro. Quero vê-lo. Eu apenas só sei, só isso. Deixarei que o achem a seu modo. É tudo um segredo. Fique viva, baby! Faça isto pela orelha de Van Gogh. Sabe o que é uma carta? de amor? vinda do fundo? do coração? Uma bala da porra da minha pistola a se alojar na tua cara. Se receber uma carta de amor estará fodido para sempre. Como gosto de Heineken! Gosta também?"
imagem . Blue Velvet, de David Lynch, EUA, 1986
remix século XXI . matheus matheus

Marcadores:

1.4.10

Juno

O mundo é folk e hiperdotado de um humor ácido e e de um amor precoce. Dois litros de suco, tic tic tac sabor laranja, B&S... Sem medo, sem susto, sem dramas... Sonic Youth mandando Superstar dos Carpenters. Normalidade não é com a gente. Gírias e roupas descoladas sim. Não é de abandono, é só de se entregar um presente lindo que geramos e que vai deixar outra pessoa muito mais feliz na vida. É difícil, não é simples nem comum. É leve: vem de nascimento - não se vende.
texto . Matheus Matheus imagem . Juno, de Jason Reitman, EUA/Canadá, 2007

Marcadores: ,

7.11.06

viagem ao mundo dos sonhos

Ethan Hawke é um garoto que vive sendo espancado pelos fodões da escola, mais velhos e burrolhonildos. Ficar sem comer porque teve o lanche roubado ou pisoteado para ele já é rotina. Independentemente disto, ele sonha em um dia poder ter para si o amor de Lori, a garota mais bonita e atraente de sua pequena vida. River Phoenix é um aspirante a cientista, amigo de Ethan, com pinta de guardar o grande segredo do universo. Primeiro inventa uma bolha fantástica capaz de fazer coisas incríveis – que deve ter servido de inspiração para Flubber.Depois cria uma nave caseira composta de partes de utensílios domésticos para realizar o sonho de fazer uma incursão ao espaço. Jason Presson completa o trio de púberes aventureiros, como um obsoleto amigo bobão. Juntos eles vão desafiar as leis da Física e partir rumo ao desconhecido. O que vão encontrar? Pode ser energia pura. Pode ser onda de pensamentos. Pode ser qualquer coisa que couber no sonho. Qualquer coisa que couber no espaço sideral. Porque tanto um quanto outro são infinitos. A grande questão do desafio que intriga a humanidade: ser o primeiro a pisar onde nenhum homem jamais esteve. E não é a lua, não. É marte. O filme possui inúmeras citações que são homenagens um tanto críticas, mas expostas de maneira divertida – poucos roteiros infanto-juvenis conseguem ser tão interessantes e inteligentes sem se perderem nem se confundirem em meio a tantas alusões. Algumas delas: Viagem ao Centro da Terra, 2001 – Uma Odisséia no Espaço, Fred Krueger, It, Planeta Proibido, Tarzan, MTV, Beatles, Além da Imaginação... entre outros, muitos outros. É surpreendente e emocionante ver uma dupla de atores tão belos e tão talentosos, juntos e jovens eternamente nesta fita, e que quando adultos tiveram destinos tão diferentes. Phoenix já partiu precocemente vítima da estrada pesada e difícil a qual se integrou: gay & junkie – por tristeza? por vocação? por destino? Talvez nem ele mesmo fosse capaz de responder. Hawke alterna bons projetos underground, fracassos de bilheteria e, eventualmente, um blockbuster para sobreviver. Os efeitos especiais do filme estão ultrapassados. Mas a ironia daqueles marcianos em relação aos terráqueos não. É sempre necessário fazer contatos intergalácticos para no final descobrir que a coisa com a qual os sonhos são feitos é bem brilhante e muito poderosa.
texto.matheus só sobre o filme Explorer, Viagem ao mundo dos Sonhos
imagem.river phoenix & ethan hawke (no filme e depois)

Marcadores:

2.11.06

conta comigo

When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we'll see
No I won't be afraid, no I won't be afraid
Just as long as you stand, stand by me
And darlin', darlin', stand by me, oh now now stand by me
Stand by me, stand by me
If the sky that we look upon
Should tumble and fall
And the mountains should crumble to the sea
I won't cry, I won't cry, no I won't shed a tear
Just as long as you stand, stand by me
And darlin', darlin', stand by me, oh stand by me
Stand by me, stand by me, stand by me-e, yeah
Whenever you're in trouble won't you stand by me, oh now now stand by me
Oh stand by me, stand by me, stand by me
Darlin', darlin', stand by me, stand by me
Oh stand by me, stand by me, stand by me.
letra . Stand by me, de ben e. king
imagem . Stand by me, de Rob Reiner, 1986

Marcadores:

11.10.06

voando para casa

Antes de nacer é preciso calor & paz para que a vida se forme tranquila. Depois amor & paciência para acompanhar ao mesmo tempo o ritmo de aprendizagem de cada um dos filhotinhos, sem se irritar ou dar mais atenção a um que ao outro. Ensinar. Repetir. Ensinar. Sem desistir. Ensinar. A juventude é rebelde porque tem pressa em conhecer o mundo, tem pressa para transformar o que, acha, precisa ser mudado. Divertir-se durante o processo é indispensável. Múltiplo intercâmbio, a aprendizagem é recíproca. Ensinando aprende-se, nem que seja aprender a beleza de ver a cria dar certo sem necessariamente estar fazendo o que se sonhou para ela ou para si próprio. Para fazê-los voar é essencial deixá-los voar. Quando estiverem maduros só eles próprios saberão o momento porque ninguém, nem mesmo os pais, pode estar dentro deles mesmos para saber. Quando estiverem prontos é de se respeitar o vôo dos filhotes, mesmo que este vôo pareça vacilante - de tão novo e inexperiente. O primeiro vôo é o mais lindo. Todo vôo é único. Os filhotes jamais deixarão de ser aquelas pequeninas e meigas criaturas aos olhos de quem as criou, de quem as viu crescer. Mas não mais seguirão cegamente e de boa vontade os passos do professor. Darão seus próprios passos, alçarão vôos inéditos para, quem sabe, depois retornarem felizes e exaustos "indo de volta pra casa". texto . matheus só imagem . Fly Away Home (de Carroll Ballard, EUA, 1996)

Marcadores:

10.10.06

meu primeiro amor

Muita gente já deve ter conferido este filme fofo e triste que passa exaustivamente na sessão da tarde. O que muita gente não deve ter ouvido é a excelente trilha sonora - que eu tenho em vinil! Além do hit (que já era hit antes do filme) My Girl com os Temptations, o disco ainda tem Spiral Starecase, Sly & The Family Stone, The Fifth Dimension, Manfred Mann, Todd Rundgren, The Rascals, Credence Clearwater Revival, Harold Melvin & The Blue Notes, The Flamingos, Chicago e aquele tema instrumental lindo que é tão relaxante quanto passear de bicicleta num dia ensolarado com aquele casal jovem e simpático. Compensa muito.

Marcadores:

14.9.06

de olhos bem fechados

"Onde estivestes de noite? Ninguém sabe. Não tentes responder."

imagem . eyes wide shut (de stanley kubrick, EUA, 1999)

texto . clarice lispector

Marcadores: